quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Comunidade Lucas: A força de uma Ideia

O início 
No ano de 1995, havia um grupo de amigos que se reuniam em uma determinada casa em um conhecido bairro de Belém, que aos domingos praticavam atividades recreativas, realizavam trabalhos assistenciais e almoçavam juntos.
A casa em que esse grupo de pessoas se reuniam, era em um bairro conhecido como PAAR, um movimentado bairro de Belém.

A realidade era que muitas famílias encontravam dificuldades para estarem presentes nas atividades de domingo, devido muitas delas morarem em outros bairros de Belém, distantes do PAAR. E muitas vezes também incluía  a questão financeira; e além do mais, o bairro era muito perigoso com elevada taxa de criminalidade na área, incluindo o tráfico de drogas, a prostituição, os assassinatos e as frequentes brigas de gangues.
A ideia
E dentro de todo esse contexto, surgiu entre os membros dessa comunidade uma ideia: que todas as pessoas daquele meio, morassem juntas em um só lugar, no qual criariam seus filhos, fariam trabalhos juntos, e teriam um único refeitório que seria destinado todos os mantimentos obtidos pelos membros da comunidade, onde todos fariam todas as suas refeições. A ideia de um lugar em que não se preocupassem tanto com as mazelas da sociedade moderna que a realidade da cidade grande apresenta e oferece.
E assim, a ideia desse lugar foi amadurecendo na mente de toda a comunidade.
E tempos depois, através de uma reunião com todos os membros dessa comunidade, essa ideia foi apresentada, e todos, de comum acordo foram amplamente favoráveis a realização da mesma.
E assim as bases de uma nova comunidade estavam sendo lançadas.
O lugar
O primeiro passo já havia sido dado com a aprovação da ideia por todos, o segundo passo seria encontrar um lugar que oferecesse condições para a realização desse projeto. E após várias pesquisas na região de Belém, pesquisando o preço dos imóveis na cidade, concluíram que em Belém seria difícil encontrar um lugar que viesse a se enquadrar em todas essas condições, visto que a área teria que ser bastante grande para abrigar todas as 30 famílias que na época compunham aquela família e devido aos altos preços dos imóveis, resolveram buscar no interior esse lugar.
E através de conhecidos ficaram sabendo que existia um lugar na rodovia Transcametá, no quilometro 80, município de Baião, Pará, que poderia dar suporte à implantação dessa ideia, pois era um lugar bastante grande, e com um preço compatível aos recursos da comunidade. E assim uma comissão constituída por homens da comunidade foi se informar sobre o lugar.
E chegando lá ficaram conhecendo o dono da área que os levou ao lugar que estava à venda, e assim conheceram a área. E o dono da área, propôs de boa vontade que, caso quisessem, as famílias poderiam vir e se assentarem temporariamente em sua fazenda, até que terminassem as construções necessárias para dar suporte as famílias que ali fossem estabelecidas. E depois de terem se informado da área, do preço e das condições de pagamento, esses homens voltaram para Belém.
E assim que chegaram passaram a novidade para os demais membros.  E após alguns dias, em nova reunião, foi proposto por consenso geral e voluntariedade, que a maioria das famílias iriam para o referido lugar, para ajustes como a limpeza da área e construção de algumas casas, e tudo aquilo que fosse necessário para que ali houvesse moradia. E assim no mês de novembro de 1997, famílias inteiras saíram de Belém em direção ao interior do Pará.
Após um dia inteiro de viagem de barco, chegaram na cidade de Cametá, e após isso, por ônibus, as famílias foram deslocadas para a área que fica a cerca de 80 km da cidade de Cametá.
E assim chegando na área todos se empenharam nas devidas melhorias, como limpeza da área e construção de casas, e a construção de poços artesianos entre outros.
Uma outra área
E cerca de um mês depois da chegada das famílias na fazenda do quilometro 80, um homem se apresentou a comunidade, fazendo uma proposta, informando que era proprietário de uma outra grande área de terra, conhecida como Lucas, que era um lugar em que haviam muitos recursos naturais e que era aproximadamente a 10 km dali, e que estava interessado em vende-la por um bom preço. E após os membros da comunidade conversarem com o homem, foi decidido que uma comissão iria, no dia seguinte, averiguar as informações da área relatadas pelo referido cidadão.
 E no outro dia o referido homem os levou ao lugar. E a comissão passando alguns dias na área verificaram que a terra ali apresentada era realmente muito boa, com uma grande área de mata preservada, uma lagoa com uma grande variedade de peixes e outros recursos naturais. E a comissão, voltando, relatou aos demais sobre a área.
E os membros dessa comunidade, ao ouvirem o relatório sobre a área conhecida como Lucas, ficaram bastante satisfeito. E diante dessa nova possibilidade houve uma reunião que definiu que aquele lugar, conhecida como Lucas, seria sem dúvida nenhuma, o melhor lugar para se dar início ao projeto de moradia das famílias da comunidade. E após a reunirem, conversaram com o dono da fazenda (que lhes tinha permitido ficarem temporariamente em suas terras), e lhe comunicaram a nova decisão, que foi imediatamente entendida e aceita pelo fazendeiro.
E após negociarem e acertarem a compra dessa nova terra conhecida como Lucas, todas as famílias, após alguns dias, foram deslocadas para essa nova área.
E assim se estabeleceram na área conhecida como Lucas.

Regularizando a terra
E durante todo esse período de permanência na terra, as famílias que moravam ali, buscaram com todos os esforços possíveis regularizar a terra, e foi constituída ali a ASTRUL ( Associação dos Trabalhadores Rurais da Comunidade Lucas), criada para reivindicar junto ao Poder municipal e estadual os direitos das famílias da área e descobriram junto aos órgãos competentes; Governo do Estado do Pará, INCRA, a SEMA e etc., que aquela área em que estavam assentados, conhecida como Lucas era uma área devoluta do Estado, ou seja, não tinha dono. E assim se empenharam em regularizar a terra.
E após muitas tentativas de regularizarem a terra, em 2002, os membros da comunidade, através da sua presidência, conseguiram junto ao governo do estado do Pará, o título definitivo da área, assinada pelo então governador do Estado do Pará, Senhor Almir Gabriel.
 A área agora estava devidamente documentada, com um título coletivo dado em nome da Associação dos Trabalhadores Rurais da Comunidade Lucas (ASTRUL).

O projeto de manejo florestal sustentável
E em 2002, apos receberem o  titulo definido da área, e com recursos próprios deram entrada em um projeto de manejo florestal sustentável, devidamente aprovado e documentado pelos órgãos do Governo do Estado do Pará e pelo Governo Federal, e com a duração de aproximadamente 20 anos. E em 2004 foi aprovado e executado esse projeto.
E a comunidade investiu nesse projeto todos os seus recursos.


Este projeto estava previsto para uma duração de 20 anos, estava sendo o carro chefe de outros projetos que a comunidade visava implantar, como projeto de casas, piscicultura, turismo ecológico e etc., mas em 2005 foi criado, sem nenhuma consulta aos moradores da área do Lucas, uma reserva extrativista que abrangeria Seis (6) comunidades da região, e a área da comunidade Lucas foi incluída nessa RESEX. E assim consequentemente foi embargado o projeto, ficando a comunidade com imenso prejuízo, sendo que direcionou todos os seus recursos a realização desse projeto de manejo.
modo de vida
A comunidade Lucas se preocupa com a preservação da natureza e o meio ambiente, valoriza o acordo e a comunhão, tendo trabalhos como: limpeza da área, coleta de frutos, pesca, plantio e colheitas de “meia”.
A comunidade Lucas possui uma só cozinha onde todos os recursos obtidos pelos membros da comunidade são destinados e distribuídos igualmente a todos, onde todos fazem conjuntamente as suas refeições, estudam e realizam atividades recreativas e culturais, tendo também uma creche, uma escola de ensino fundamental e uma marcenaria, localizada em Tucuruí, Pará.
Sendo uma comunidade extrativista constituída por pescadores e alicerçada nos valores morais, preservando o verdadeiro significado da palavra comunidade.







quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Retornando ao trabalho

Olá pessoal!
Estamos retornando ao nosso blog apos um período sem postar, mas agora vamos lá. Estamos preparando muitas matérias e selecionando várias fotos para postar e mostrar a beleza de um lugar que é único, uma comunidade chamada Lucas.
E aqui vão algumas fotos recentes que tirei a poucos dias. Sejam bem vindos a nossa comunidade!







quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Construção da escola da Comunidade Lucas

Os membros da comunidade Lucas, com ajuda de amigos, deram início a construção da escola Daniel Lucas. Toda a comunidade se mobilizou para concretizar esse antigo sonho, de construir uma escola com uma boa estrutura que venha a condizer com as reais necessidades de alunos e professores.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Petição para a construção de um Telecentro na Comunidade Lucas estabelecida na Rodovia Transcametá, km 60, Município de Baião/PA.



Para: O governo do Estado e Municípios
Nos dias atuais o acesso a informação torna-se fundamental para a construção do conhecimento e para a formação do cidadão. Com o advento da Internet, os cidadãos obtiverem acesso cada vez mais amplo a todo tipo de informação, propiciando uma melhor participação na sociedade. 

Foi baseado nisso que surgiram os Telecentros, excelente iniciativa do Plano de Inclusão Digital, servindo como modelo para todos os Municípios e Estados da União e que ajudam os cidadãos no desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao cotidiano em constante transformação. 

Dessa forma, vimos por meio desta requerer a construção de um telecentro na Associação dos Moradores da Comunidade Lucas, que inclui a construção de um prédio, um conjunto de equipamentos de informática, mobiliários, materiais pedagógicos e de acessibilidade para a organização do espaço de atendimento educacional especializado.
Os moradores da área teriam livre acesso aos computadores, poderiam participar de cursos de informática ministrados por professores especializados e aprenderiam como utilizar a internet em busca de informações e também para auxílio em suas necessidades. 

Assine o abaixo assinado em prol da instalação de um centro de acesso e formação dessa população em como acessar a Internet e aprender noções básicas de informática nessa região tão carente e desassistida pelo governo.


Endereço para assinar a petição online: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=P2013N60065